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Gullwing é o "barn find" da década em Portugal?

Num momento mágico, o 300 SL da família Aragão Teixeira viu a luz do dia pela primeira vez em 30 anos. Ainda há histórias destas?
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1 de jun. de 2026

Fonte, vídeo e imagens: Classic Driver e HK Engineering

Numa época em que praticamente todos os grandes achados automobilísticos parecem já ter sido descobertos, continua a haver automóveis extraordinários escondidos em locais improváveis..

Foi precisamente isso que aconteceu numa propriedade agrícola nos arredores de Lisboa, onde um Mercedes-Benz 300 SL Gullwing de 1955, com historial de competição, que permaneceu durante décadas longe dos olhares do mundo.

O automóvel pertencia à mesma família desde novo. Em determinado momento, o pai do actual proprietário decidiu iniciar um restauro completo, com o objectivo de devolver o carro ao estado exacto em que se encontrava quando fazia parte das suas memórias de infância. O projecto avançou até à fase de desmontagem integral, mas a complexidade dos trabalhos, os custos envolvidos e a dimensão do desafio acabaram por ditar a sua interrupção.

Separado em dezenas de componentes, o lendário Gullwing ficou armazenado no armazém duma herdade, onde permaneceu praticamente esquecido durante cerca de trinta anos.

O destino do automóvel mudou quando o neto do proprietário original decidiu procurar ajuda especializada. O contacto foi feito com a HK-Engineering, empresa alemã reconhecida internacionalmente pela recuperação e restauro dos icónicos 300 SL.

A equipa deslocou-se até Portugal preparada para muito mais do que uma simples avaliação. O objectivo era recuperar o automóvel e transportá-lo para a Alemanha, onde iniciaria finalmente um processo de restauro adequado.

Ao chegarem ao local, os especialistas perceberam rapidamente que estavam perante um exemplar particularmente interessante. Apesar de desmontado há décadas, o carro conservava uma história perfeitamente documentada e mantinha uma notável integridade. Não se tratava de um projecto mal executado nem de um conjunto de peças sem identidade. Era simplesmente um automóvel cuja vida tinha ficado suspensa no tempo.

A configuração original revelou-se especialmente atractiva. A carroçaria apresentava-se na clássica tonalidade prateada, combinada com um interior em pele azul-escura e raras jantes de aperto central. A acompanhar o conjunto encontrava-se ainda documentação original que permitia confirmar a autenticidade e o historial do veículo.

Mas a parte mais complexa da operação ainda estava por vir.

Com a carroçaria e o chassis armazenados separadamente há décadas, tornou-se necessário reunir novamente as duas estruturas antes do transporte. Sem equipamentos industriais disponíveis e longe de qualquer oficina, os técnicos tiveram de recorrer à criatividade.

A solução surgiu através de um dos sobreiros da propriedade. Utilizando correntes, roldanas e uma estrutura especialmente concebida para distribuir o peso de forma uniforme, conseguiram suspender cuidadosamente a delicada carroçaria do Gullwing.

Durante alguns instantes, a estrutura permaneceu suspensa no ar, pendurada sob os ramos da árvore. Uma imagem quase surreal, digna de um cenário cinematográfico, que dificilmente será esquecida por quem assistiu à operação.

Com enorme precisão, a carroçaria foi sendo descida milímetro a milímetro até reencontrar o chassis do qual estava separada há mais de três décadas.

Depois de novamente unido, ainda que de forma provisória, o Mercedes-Benz foi preparado para a longa viagem até à Baviera. Todas as peças foram inventariadas, acondicionadas e carregadas cuidadosamente antes do transporte iniciar um percurso de cerca de 2.500 quilómetros.

Hoje, o 300 SL encontra-se nas instalações da HK-Engineering, onde decorre o minucioso trabalho de restauro.

No entanto, talvez a parte mais interessante desta história não esteja relacionada com mecânica, chaparia ou originalidade. O verdadeiro significado deste projecto reside no facto de uma herança familiar ter sido recuperada antes de se perder definitivamente.

Quando o processo estiver concluído, o neto de Aragão Teixeira poderá voltar a ver o Gullwing exactamente como o seu avô o recebeu há mais de sete décadas: um dos automóveis mais emblemáticos da história, restaurado à sua configuração original e novamente pronto para a estrada.

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