Automobilia de Aveiro 2026
A 32.ª edição da Automobilia Aveiro 2026 voltou a confirmar aquilo que há muito deixou de ser apenas uma percepção entre entusiastas: o certame aveirense permanece como uma das maiores referências ibéricas dedicadas ao veículo histórico.
Durante três dias, o Parque de Exposições de Aveiro transformou-se novamente num ponto de encontro entre coleccionadores, clubes, instituições e milhares de visitantes unidos pela mesma paixão.
Mais do que uma feira de clássicos, a Automobilia continua a afirmar-se como um espaço onde convivem comércio especializado, património industrial, memória colectiva e um forte espírito comunitário. Entre peças raras, miniaturas, motociclos históricos, viaturas militares e automóveis de colecção, a edição de 2026 demonstrou uma vitalidade notável e uma diversidade temática difícil de encontrar noutro evento nacional.
Um ambiente que continua único
Logo à entrada do recinto, o ambiente característico da Automobilia fazia-se sentir de imediato. O brilho das carroçarias cuidadosamente preservadas, o cheiro a óleo antigo, os motores ocasionais a ganhar vida e as conversas entre apaixonados criavam uma atmosfera muito própria — quase intemporal.
A forte afluência desde as primeiras horas confirmou o crescente interesse do público pelo universo dos clássicos. Mas aquilo que distingue verdadeiramente a Automobilia não é apenas a quantidade de visitantes ou de expositores: é a autenticidade. Em Aveiro, cada banca esconde uma descoberta e cada objecto transporta consigo uma memória mecânica.
O mercado especializado: o verdadeiro coração do certame
Os corredores dedicados ao comércio especializado voltaram a assumir-se como o centro nevrálgico do evento. Bancas repletas de peças, literatura técnica, emblemas, mascotes, e placas esmaltadas atraíam visitantes atentos aos mais pequenos detalhes.
O coleccionismo continua claramente a ser um dos motores da Automobilia. Entre caixas organizadas com miniaturas diecast, modelos raros e séries completas, era impossível não observar visitantes a percorrer cuidadosamente cada banca na esperança de encontrar a peça há muito procurada.
Mas a Automobilia distingue-se também pela componente humana. Muitos expositores não se limitavam à venda: partilhavam a origem das peças, relatavam histórias familiares ou descreviam anos de procura até encontrar determinado componente. Em Aveiro, os objectos têm contexto, memória e identidade.
Memorabilia e cultura automóvel
Uma das áreas mais concorridas voltou a ser a dedicada à memorabilia automóvel. Placas metálicas antigas, bombas de combustível restauradas, publicidade vintage, latas de óleo, relógios de oficina e objectos decorativos criavam um ambiente que parecia saído de uma garagem dos anos 50.
A estética industrial e a cultura visual do automóvel estavam particularmente bem representadas este ano. Mais do que simples decoração, muitos destes objectos assumem hoje um papel importante na preservação da história das marcas e da própria evolução da mobilidade.
A presença de livrarias e editoras especializadas reforçou igualmente a dimensão cultural do certame. Obras dedicadas à competição histórica, documentação técnica, biografias e revistas de referência mostraram que o automobilismo clássico também se preserva através da investigação e da memória escrita.
Exposições temáticas de grande qualidade
A edição de 2026 destacou-se novamente pela qualidade e diversidade das exposições temáticas, cuidadosamente distribuídas pelos vários espaços do recinto.
Entre os destaques esteve a homenagem à Mercedes-Benz, assinalando simultaneamente os 140 anos do automóvel e o centenário da fusão que deu origem à marca alemã. Os modelos expostos permitiam observar décadas de evolução tecnológica, estética e mecânica, reforçando a importância histórica da fabricante no desenvolvimento da indústria automóvel.
A mostra dedicada à Peugeot, à Renault e à Vespa ajudaram igualmente a construir um percurso visual pela mobilidade europeia do século XX.
Outro dos espaços mais comentados foi a surpreendente exposição de carros fúnebres clássicos. Entre imponentes modelos americanos e exemplares de carroçaria artesanal, esta área revelou um segmento pouco conhecido do património automóvel, mas tecnicamente fascinante pela originalidade das soluções construtivas e pelo cuidado estético.
Fórmula 1, motos e raridades mecânicas
O universo da competição também marcou presença. Um dos pontos de maior atracção foi o monolugar histórico da equipa Fittipaldi Automotive, apresentado pelo Museu do Caramulo. A presença deste Fórmula 1 histórico trouxe uma dimensão desportiva muito especial ao evento, atraindo visitantes de todas as idades.
As duas rodas mantiveram igualmente um papel importante na feira. Desde motorizadas clássicas portuguesas a desportivas emblemáticas como a Ducati Supersport, o sector motociclista demonstrou uma enorme diversidade.
Particularmente interessante foi a presença de Vespas militares adaptadas para utilização táctica, um exemplo inesperado da versatilidade mecânica da scooter italiana em contexto militar.
Veículos militares e património institucional
A área militar voltou a assumir-se como uma das mais impressionantes visualmente. Entre jipes, viaturas de apoio e blindados históricos, destacava-se o carro de combate M48 A1 TTS, cuja imponência contrastava com a delicadeza das bicicletas clássicas e miniaturas presentes noutras zonas da exposição.
A participação do Museu do Ar e da Associação Portuguesa de Veículos Militares reforçou a componente histórica e educativa desta área, cada vez mais valorizada pelo público.
Também a PSP e a GNR surpreenderam os visitantes com uma colecção de viaturas históricas pouco habituais. Entre os modelos expostos encontravam-se exemplares tão distintos como um UMM, um Porsche 996 Turbo, um Porsche 928, um Honda CRX e um Subaru Impreza preparados para serviço policial, demonstrando uma faceta menos conhecida da história operacional da corporação.
O parque exterior: um salão informal de clássicos
Fora dos pavilhões, o parque reservado aos visitantes que chegaram em automóveis clássicos, voltou a assumir-se como uma das áreas mais interessantes da Automobilia. Muitas vezes ignorado pelos visitantes mais apressados, este espaço funciona quase como uma extensão natural da própria feira.
Ao longo do dia era possível encontrar uma impressionante variedade de modelos - desde utilitários a desportivos - estacionados lado a lado num ambiente descontraído e genuíno.
Ao contrário das exposições formais do interior, o parque exterior oferece uma perspectiva mais espontânea do universo dos clássicos. Aqui, os automóveis aparecem tal como são vividos pelos proprietários: usados, conduzidos e partilhados. Muitos visitantes acabavam por permanecer largos minutos junto destes carros, conversando com os donos e observando detalhes que dificilmente se encontram em exposições convencionais.
Mais do que um simples parque de estacionamento, este espaço tornou-se um verdadeiro ponto de encontro entre entusiastas e um dos locais mais autênticos de toda a Automobilia.
Clássicos para todos os gostos
Ao longo dos vários pavilhões era possível encontrar automóveis de diferentes épocas, origens e filosofias mecânicas. Dos desportivos italianos aos coupés britânicos, passando por berlinas francesas e modelos populares que marcaram várias gerações, a diversidade foi uma constante.
Um encontro entre gerações
Talvez o maior mérito da Automobilia continue a ser a sua capacidade de unir diferentes gerações em torno da mesma paixão. Ao longo do certame era possível observar coleccionadores experientes a conversar com jovens entusiastas, famílias inteiras a descobrir automóveis históricos e curiosos a dar os primeiros passos no universo dos clássicos.
Entre os vários núcleos temáticos presentes na feira, mereceu também destaque a exposição dedicada a viaturas populares europeias do pós-guerra. Modelos compactos, concebidos para responder às necessidades de mobilidade de uma Europa em reconstrução, surgiam apresentados num ambiente sóbrio e cuidadosamente organizado.
Entre os exemplares expostos encontravam-se os pequenos automóveis italianos Topolino de enorme importância histórica, símbolos de democratização do automóvel e da recuperação industrial europeia nas décadas de 1940 e 1950. As linhas simples, as dimensões reduzidas e os detalhes de época revelavam uma abordagem funcional à mobilidade, hoje transformada em património cultural e objecto de colecção.
Uma prova que o universo dos clássicos não vive apenas de desportivos exóticos ou viaturas de competição, mas também de automóveis populares que marcaram profundamente o quotidiano de milhões de famílias europeias.
No exterior do recinto, as esplanadas cheias, os reencontros anuais e o ambiente descontraído reforçavam essa dimensão social que há muito faz parte da identidade da Automobilia.
Uma referência incontornável
A edição de 2026 demonstrou, mais uma vez, que a Automobilia Aveiro continua num momento de enorme vitalidade. A combinação entre comércio especializado, exposições de qualidade, diversidade temática e forte envolvimento da comunidade, transforma este certame num evento obrigatório para qualquer apaixonado pelo automobilismo histórico.
Mais do que um simples salão de clássicos, a Automobilia é hoje um espaço de preservação cultural, partilha de conhecimento e celebração da memória mecânica. Um local onde a história não fica parada: continua a circular, a ser debatida e, acima de tudo, a manter-se viva.













































