BMW Série 3 E21: o lançamento da saga
Depois dos anos de crise e desorientação do pós-guerra, em que a BMW teve de recorrer a modelos minimalistas como o Isetta, o 600 e o 700 como forma de salvar a sua actividade, seriam os modelos da Neue Klasse a definir o padrão de automóvel que a BMW passaria a produzir.
Apesar da boa recepção aos modelos 1500, 1600, 1800 e 2000, seriam os “02”, ou seja, os modelos de duas portas, a atingir um sucesso comercial sem precedentes para a marca bávara. Por isso, tendo em conta a expressão residual dos modelos de quatro portas, a primeira geração da Série 3 seria composta apenas por uma carroçaria única em formato sedan de duas portas.
Em opção, a BMW permitia encomendar a transformação Baur, com o típico formato descapotável com arco de segurança e moldura nas janelas.
O desenho da carroçaria foi desenvolvido internamente, sob a direcção do designer francês Paul Bracq até 1974 e Claus Luthe até ao lançamento.
Embora mantivesse as premissas essenciais do desenho do 02, como a grelha com dois faróis e o célebre “Hofmeister Kink” na janela traseira, tinha uma aparência bastante vanguardista, leve e agressiva.
As primeiras unidades não tinham o característico painel de plástico preto entre os grupos ópticos traseiros. As versões 316 e 318 usavam apenas dois faróis dianteiros e as 320 e 323, dois pares. Em 1979 o modelo foi alvo de um face-lift, em que mudou o desenho do tablier, o spoiler e os retrovisores exteriores, que passaram de cromados a plásticos, com comando a partir do habitáculo.
Os E21 usavam direcção de pinhão e cremalheira, suspensão do tipo McPherson à frente e independente de braços oscilantes atrás. O travões eram de disco à frente e assistidos.
Todas as versões do E21 vinham equipadas de série com uma caixa Getrag de quatro velocidades. Disponíveis em opção estavam a Getrag de cinco, com quinta em “overdrive”, e a Getrag desportiva, de primeira para trás e com relação final 1:1. Havia ainda a opção pela ZF automática de três velocidades.
As motorizações foram várias ao longo dos oito anos de produção. No lançamento estavam disponíveis o 316 (90cv), 318 (98cv) e 320 (109cv) alimentados por carburador e 320i (125cv), de injecção, todos de quatro cilindros.
Em 1977 chegavam os seis cilindros, 320 de carburador (122cv) e 323i (143cv). Em 1980, o 316 passa a ser equipado com o motor 1.8 de carburador mantendo os 90cv do 1.6, com mais binário. Extingue-se então o 318 e permanece apenas o 318i (105cv).
No ano seguinte chega a versão mais acessível da gama, o 315, de 75cv. Como acontece com todos os modelos BMW, a Alpina não abdicou de criar as suas próprias versões, das quais a mais extrema seria o B6 2.8 de 216cv, capaz de acelerar até aos 100km/h em sete segundos e de atingir os 226km/h.
No desporto, o E21 ficou celebrizado pela sua versão de Grupo 2. Baseado no chassis de série, o modelo de competição usava uma carroçaria de aerodinâmica radical, com painéis em fibra de vidro, pesando, com piloto e combustível, uns magros 740kg. Era movido pelo motor de dois litros M12 de Fórmula 2, com injecção mecânica Kugelfischer, capaz de debitar 304cv às 9250rpm.
No entretanto, no campeonato IMSA a BMW competiu com uma versão 2.0 Turbo 500cv de Gr.5 com a qual Gilles Villeneuve e Eddie Cheever venceram as 6 Horas de Mosport de 1977. As versões Turbo de 1427cc usadas no DRM e WCT, chegariam aos 560cv, mas nunca chegariam ao título.
Em 1980, no Reino Unido, foi criado o County Championship, uma competição monomarca disputada com os E21 323i e onde competiram nomes como Nigel Mansell, Martin Brundle e Tiff Needell. Patrick Snijers seria Campeão Nacional de ralis na Bélgica, em 1980, aos comandos de um 323i de Gr.2.
E21 à venda em Motorbest
Este exemplar do BMW E21 à venda no marketplace Motorbest é um 316 de 1981 e, portanto, um exemplar já equipado com o motor 1.8.
Esta era uma versão com equipamento simples, ainda assim mais completo do que o 315, a versão económica de acesso à gama.
O 316 pode parecer relativamente espartano, mas quando comparado com os BMW 1602 e 2002, é um automóvel que proporciona o mesmo tipo de prazer de condução, com mais conforto e por uma fracção do preço.
Já não se poder dizer que o E21 seja exactamente um segredo bem guardado, mas pela sua cotação, será difícil encontrar outro modelo que proporcione os mesmos níveis de robustez e de prazer de condução.
Com o binário do motor M10, excelente posição de condução e um tacto dos comandos referencial, um E21, mesmo nesta versão, é sempre uma proposta tentadora que só se entende depois de conduzir.














