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Mégane R26.R: o melhor "hot-hatch" de sempre?

Quando o objectivo é diversão, "menos é mais". Mas o R26.R junta leveza, potência entregue sem filtros a uma enorme dose de competência. Haverá melhor?
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2 de abr. de 2026

Uma linhagem cheia de raça
Foi em 1998 que surgiu o primeiro Renault RS, mais concretamente o Clio, de 172cv, o qual foi sofrendo evoluções até ao mítico Trophy de 182cv. Um pouco mais tarde, à medida que a guerra dos desportivos de tracção se fazia, cada vez mais, no segmento acima, surge o Mégane RS, com turbo e potências que não estávamos muito habituados a ver em automóveis de tracção, mas que funcionavam melhor do que se esperava. 

As façanhas dos pequenos Renault e o impacto destes na imprensa, davam-nos a entender que conduzir os melhores automóveis de performance do mundo era algo afinal acessível ao comum dos mortais. 

O desenho absolutamente disruptivo do Mégane II, tornava difícil criar desejo em relação ao primeiro RS de 225cv, mas personalidade não lhe faltava. 

Sendo certo que o normal RS 225 tinha a virtude de passar despercebido num uso quotidiano, tudo começou a tornar-se mais sedutor com as versões especiais.  
As primeiras foram o Trophy e Cup. 

Estas duas versões, que apenas se distinguiam entre si pelo equipamento, traziam com eles uma suspensão mais firme, travões melhores   e uma diferente afinação do chassis, que mereceu aplausos.  

Com renovada confiança, a Renault Sport apresenta em 2006 o RS 225 R25 F1 eTeam. O mote era a celebração do título de construtores da Renault na época de 2005 da F1, com o monolugar R25, uma série limitada a 1500 exemplares, em que a marca anunciava algumas intervenções subtis na mecânica, com novos injectores, pistões e cambota, assim como um débito superior do turbo. 

A equipa de F1 continuou a vencer pelo que havia mote para uma nova versão especial em 2007 denominada R26 230 F1 Team. O sucesso crescente das versões especiais ditou que esta série se estendesse aos 3700 exemplares. O grande contraste do R26 F1 Team face ao seu antecessor, está no diferencial autoblocante GKN. É um diferencial de helicóides, ou seja, um sensor de binário que fornece mais potência à roda com mais tracção sem, contudo, transmitir demasiadas forças ao volante.  Como a designação sugere, este modelo tem mais 5cv do que os anteriores, assim como 10Nm extra de binário, graças a um aumento de 0,1bar na pressão do turbocompressor e a sistema de escape melhorado, que torna o motor mais sonoro.  

O Mégane só teve uma outra versão acima do R26 F1 Team, o exclusivo e radical R26.R.

O GT3 RS dos hot-hatch
No R26.R, a Renault optou por colocar molas mais firmes, mas reduzir a dureza dos amortecedores, uma vez que o conjunto é mais leve.  

O R26.R não tem nenhuma diferença mecânica face ao F1 Team, mas é meio segundo mais rápido do que o R26 F1 Team nos 0 a 100km/h, devido ao menor peso.

Com o turbo em carga, qualquer dos Mégane RS tem um som que parece o de um aspirador industrial sob o efeito de “doping”. O som do fluxo de ar na admissão abafa todos os outros ruídos. Mas o R26.R tem a particularidade do escape em titânio que amplifica o som mecânico, por isso soa como uma espécie de Darth Vader com catarro

Mesmo em linha recta, a diferença é imediatamente sensível: o volante vibra nas mãos, e cria uma espécie de crescendo de expectativa em relação às curvas que aí vêm. E da primeira vez que se gira o volante, O R26.R revela uma personalidade tão radicalmente diferente do modelo de base que nos questionamos se haverá algo mais na descrição técnica que nos tenha escapado.

Parece não 123kg, mas 200kg mais leve. Percorre a curva em bicos de pés. De acelerador em baixo sentimos a frente a puxar para o interior da curva e a traseira a ficar leve mesmo em aceleração. Vem a curva seguinte e o tacto do pedal de travão revela-se seco e firme como num carro de corrida e a travagem é bem precisa e forte. Ao rodar o volante antes de voltar ao acelerador, a traseira gira voluntariamente, mas a correcção nem chega a ser necessária, porque o eixo da frente não tem tempo a perder, coloca a potência no chão e voa para a curva seguinte. 

O R26.R atinge ritmos impossíveis para os antecessores, graças a melhorias na tracção, transferência de peso e, sobretudo, a facilidade em sentir os limites de aderência, os movimentos de cada roda e até a textura do piso.  

Vale a pena mencionar que o R26.R podia ser equipado de origem com os semi-slick Toyo R888, mas neste caso, temos os mais normais, mas muito eficazes Michelin Pilot Sport 2. 

Por tudo isto, o R26.R é um modelo irrepetível e altamente coleccionável, mas o ideal não é guardá-lo, mas sim desfrutar de uma experiência de condução absolutamente excepcional e muito pura.

Este exemplar
O exemplar à venda em Motorbest é um dos escassos 205 exemplares produzidos com volante à esquerda. Destes, provavelmente já não existirão alguns deles...

Esta unidade tem o Rollbar, escape Renault Sport em Titaneo e AC Automático. Nem todas as unidades produzidas têm estes opcionais, o que torna este R26R ainda mais raro.

Curiosamente, conta com 127.000km, pois foi usado diariamente pelo proprietário original. Contudo, isso significou um cuidado extraordinário e assíduo na manutenção. A aparência, quer na carroçaria quer nos interiores, é igual à de um automóvel com pouco uso. 

Conta também com a exclusiva e rara caixa "Owners Edition". Tem Manuais e duplicado de chaves.

Renault Mégane RS 230 R26.R 
 Ano: 2008  
1998cc 
Diâmetro vs Curso 82.7 × 93 
230cv às 5500rpm 
310Nm às 3000rpm 
Injecção multiponto SAGEM 3000 
4 cilindros em linha posição transversal dianteira, 16 válvulas 
Carroçaria monobloco em aço de 3 portas e 2 lugares 
4228mm de comprimento 
2625mm entre eixos 
1239kg 
Suspensão dianteira independente do tipo McPherson  
Suspensão traseira semi-independente de eixo de torção 
Travões dianteiros de disco ventilados, com ABS 
Travões traseiros de discos ventilados 
Transmissão dianteira
Caixa de 6 velocidades manual 
236km/h de V. Máxima 
6,0s dos 0 aos 100km/h 

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