SL R129: já não se faz nada assim
Depois de uma longa carreira, o R107 continuava a ser um modelo sedutor, mas claramente com raízes noutros tempos. A Mercedes-Benz aproveitou bem o tempo para um desenvolvimento bem apurado do sucessor.
Na entrada de gama do R129 estava o 300SL, com o tradicional motor M103 de 12 válvulas e 188cv, muito robusto, mas algo lento. A outra versão de seis cilindros era o 300SL-24V, com o motor M104, que usava como base o M103 com a cabeça multi-válvulas, uma gestão electrónica mais sofisticada, com taxa de compressão mais elevada e sensores de detonação, assim como controlo electrónico da abertura de válvulas.
Tudo isto resultava numa potência máxima de 228cv e em consumos iguais aos da versão base. Este motor podia ser vendido com a caixa automática de quatro velocidades. Só mais tarde receberia a caixa automática de cinco velocidades que, em rigor, era a mesma caixa com a adopção de um sistema overdrive no diferencial, comandado electronicamente. Em alternativa, era possível escolher a caixa manual Getrag, de primeira para trás.
Por último o 500 SL estreava o V8 M119, que usava o mesmo bloco de alumínio do M117, ao qual somava, também ele, uma cabeça moderna com 32 válvulas, igualmente com admissão variável controlada electronicamente, assim como pistões, cambota e bielas específicas para alta performance. A potência deste V8 era de 322cv na versão original, com catalisadores.
Em Portugal, antes de 1994, era possível, em qualquer das versões, especificar a anulação do catalisador.
Na segunda metade de 1993, chega o primeiro facelift do modelo e, com ele, o 300 SL desaparecia da gama, assim como o 24V.
As designações mudavam, com a sigla SL a passar para uma posição anterior à referência da capacidade do motor, pelo que os dois modelos anteriores seriam substituídos pelo SL280 (uma versão do M104 com menos capacidade e cerca de 190cv) e o SL 320, com a mesma potência do 300 SL 24V. Estes motores abandonavam a velha injecção K-Jetronic e, por isso, os consumos reduziam até perto de 20%.
Outra novidade absoluta de 1993 foi a introdução do primeiro motor V12 num SL, numa espécie de resposta ao nascimento do BMW 850i. O SL600 usava o motor com o código M120. Era um motor de 48 válvulas, com 389cv. Na sua especificação original, as performances não eram significativamente melhores do que as do 500 e a complexidade e peso adicionais, tornavam-no numa escolha pouco sensata. No entanto, além de motorizar os S 500, esta mesma unidade serviu para motorizar os extraordinários Pagani Zonda.
Em 1998 chega um novo facelift, mais profundo, com a introdução de novos espelhos retrovisores, novos pára-choques e novas jantes, e mais mudanças na gama de motores. Infelizmente, os motores de seis cilindros em linha, davam lugar aos V6 M112, mais eficazes, mais compactos, mas com muito menos carácter. A potência subia para os 201cv no SL 280, ao passo que no SL 320, descia para os 221cv.
O SL 500 abandonava o M119 e recebia o mais moderno M113 de apenas 24 válvulas, partilhado com o E 500 (W221), devido às emissões. Este V8 oferecia apenas 302cv.
Se há aspecto que marca profundamente o carácter do R129, é a quantidade de tecnologias inéditas e claramente perceptíveis pelo proprietário, algumas delas relacionadas com conforto, outras com performance e segurança.
Uma das absolutas novidades do modelo são os bancos com cinto de segurança integrado na estrutura e comandados electronicamente. A estrutura dos bancos é feita em liga de titânio e movimentada por sete motores eléctricos e opção de aquecimento. Ao todo a marca registou patentes para 20 peças dos bancos apenas.
Outra novidade era a capota totalmente accionada electricamente. Ao contrário das soluções eléctricas existentes até então, não era preciso soltar a capota do aro frontal ou sequer recolhê-la manualmente debaixo do tonneau. Basta pressionar um botão e, em 30 segundos, a operação está completa, seja a abrir ou a fechar. Ver o mecanismo a funcionar é um verdadeiro espectáculo, mas a complexidade do sistema, composto por 17 sensores de posição, 11 solenóides e 15 cilindros hidráulicos, pode provocar dores de cabeça. Por norma, as avarias devem-se à perda de pressão nos hidráulicos, pelos retentores. A substituição é relativamente fácil e barata, mas o processo de desmontagem para aceder aos cilindros é o que torna tudo mais trabalhoso e um pouco dispendioso quando é preciso intervir. No entanto, não é o “bicho-papão” que algumas opiniões fazem crer.
Outra novidade absoluta introduzida pelo R129 é o arco de segurança que, estando oculto e integrado na carroçaria, demora apenas 0,3 segundos a ficar na posição vertical em caso de risco de capotamento. Em caso de accionamento o arco é movido por molas que se encontram sob pressão, mas é controlado e rebatido por via hidráulica. O que acontece quando os sensores detectam um movimento da carroçaria que indicia capotamento, é que uma espécie de interruptor solta a prisão hidráulica e permite a subida do arco. Esta solução permite combinar a “limpeza” estética com a desejada segurança adicional.
As tecnologias não terminam aqui. Em opção, o SL poderia vir equipado com o sistema de suspensão auto-nivelante e activo ADS. Esta solução permite que o condutor suba a suspensão em 30 milímetros, para atravessar estradas menos boas, regressando à posição inicial se o automóvel ultrapassar os 72km/h. No entanto, a partir dos 122km/h, este mesmo sistema permite que o SL desça 15 milímetros, aumentando a estabilidade e performance aerodinâmica. Esta solução permite também optar por dois níveis de dureza no amortecimento.
Embora aquando do lançamento, o R129 fosse visto como algo de avançado do ponto de vista estético - como aliás ficou provado pelo seu longo ciclo de vida -, o R129 tinha um estilo de continuidade dentro da gama. No fundo, foi um dos últimos modelos de um padrão que se estendeu por toda a gama, incluindo os 190, W124 e, mais tarde, os W202 e W140. O traço fluído e sóbrio de Bruno Sacco, foi aplicado em todos os Mercedes-Benz dos anos 90 e vincou a personalidade da gama. Bruno Sacco afirmava que o R129 tinha sido a sua obra-prima.
Apesar do brutal investimento em desenvolvimento, o SL R129 obedecia à economia de escala, no sentido em que usava a plataforma do competente Classe E W124. A Mercedes-Benz antecipou uma procura forte, pelo que decidiu produzir o R129 na sua fábrica de Breme e não em Sindelfingen.
As previsões provaram-se, ainda assim, algo pessimistas, pois acumulou-se uma lista de espera considerável nos primeiros anos de produção. Ao fim de quase 11 anos no mercado, o R129 somou 204.940 unidades vendidas. Um número muito positivo, quando comparado com o R107 que, em 18 anos, vendeu apenas mais 23.000 unidades.
Motorizações para todos os gostos
Como fica fácil de perceber, uma análise mais global a esta geração do SL implicaria reunir diversos exemplares, pois não só há várias motorizações, como consideráveis mudanças estéticas e funcionais ao longo dos 11 anos de produção. Isto mesmo deixando de fora as variantes AMG.
Na primeira geração, pré-facelift, com produção entre 1988 e 1993, houve duas motorizações mais relevantes comercialmente: o 500 SL equipado, com o motor M119, vendeu 79.827 unidades, sendo largamente o modelo mais vendido de toda a produção. Nas motorizações de seis cilindros, o modelo mais vendido foi o SL 320, com 32.223 unidades vendidas entre 1993 e 1998. Contudo, na primeira geração do SL, a versão de seis cilindros mais vendida foi o 300SL-24V, com 26.984 em apenas quatro anos de produção.
Exemplares à venda em Motorbest.pt
Quem não encontrar na gama R129 uma motorização adequada ao seu gosto, é porque não quer ter um SL. No “cardápio” dos classificados da Motorbest existem actualmente três exemplares que cobrem praticamente todas as necessidades.
Primeiramente, um 300SL-24V (azul), com caixa manual Getrag, que permite explorar ao máximo a entusiasmante motorização de seis cilindros.
Quem preferir uma atitude mais relaxada, poderá optar pelo SL320 (cinzento escuro), já com a estética pós-facelift e com a robusta caixa automática.
Para quem não resistir ao encanto do V8, existe ainda um 500SL (verde), o motor que é talvez o que melhor se adequa ao modelo, sendo sofisticado, generoso no binário e suave na condução.
E para quem procura a exclusividade absoluta, nada como o V12 que motoriza este SL 600 (preto).















