Ultimate Supercar Garage, a Retromobile de 2056
Algo que marca a Retromobile dos anos mais recentes, é a impressionante quantidade de público muito jovem. Quaisquer discursos catastrofistas que alegam que “os jovens já não gostam de automóveis”, cai por terra de imediato perante este cenário.
Os organizadores sabem-no, entendem a importância do fenómeno e fomentam-no. Assim, mesmo os mais jovens criadores de conteúdo online são incentivados a requerer passe equivalente ao de jornalista e são recebidos na sala de imprensa como qualquer sénior, algo que é absolutamente refrescante para nós, profissionais, e que nos torna optimistas face ao futuro.
Naturalmente, para esta faixa etária, os supercarros actuais são o maior chamariz. Consciente disso, a Retromobile criou um pavilhão, visitável de forma independente, a que chamou Ultimate Supercar Garage, onde estiveram representados muitos dos principais fabricantes deste tipo de modelos (só Porsche e Ferrari e Porsche não estiveram oficialmente representados, embora estivesse prevista a presença da Charles Pozzi), também pequenos construtores independentes e produtores de restomods, além de empresas de produtos e serviços associados.
Foram várias as apresentações de novidades, nomeadamente a Lamborghini com o Fenomeno, a Bentley com o GT Supersports e Bugatti com o Veyron F.K.P. Hommage, criado para homenagear o fundador Ferdinand Karl Piëch.
A Lotus marcou presença com o seu hipercarro eléctrico Evija - que aparentemente ninguém deseja, tendo em conta as vendas – aqui apresentado na mais sedutora versão “Fittipaldi Edition”, com as cores do magnífico Lotus 72, que também esteve exposto.
A Aston Martin expôs várias versões especiais e também os Valhalla e Valkyrie LM.
Também pensado apenas para o uso em pista, a Maserati exibiu o MCXtrema, ao lado do GT2 Stradale.
Ali perto, foi possível apreciar as únicas duas criações emotivas da Alfa Romeo nos mais recentes anos de actividade: o actual 33 Stradale e o Giulia Quadrifoglio, uma das mais belas berlinas da história, agora com um traje quase carnavalesco na versão “Luna Rossa”, num esforço excessivo para prolongar a vida do último produto cativante da marca.
Esta nova área da exposição serve também de palco para novos construtores, em busca de um lugar no imaginário dos coleccionadores, como é o caso da alemã Capricorn, com o bonito modelo 01 Zagato, desenhado pelo estúdio italiano e movido por um motor V8 Ford de 5.2 litros com compressor, capaz de debitar 900cv e caixa manual.
Também Bruno Lafitte, sobrinho do piloto Jacques Lafitte, apresentou em Paris o supercarro com o seu sobrenome, que monta um V8 híbrido com 1000cv, com uma carroçaria mais agressiva do que elegante.
Mais suave para o olhar, o Bertone GB110 é outro hipercarro altamente exclusivo, com um motor V10 5.2 (herdado do Huracán) e 1124cv.
Algures entre o “restomod” e o desportivo de baixo volume, está o novo Bertone Runabout. Foi apresentado ao lado do extraordinário “concept” de Gandini que lhe serviu de inspiração. Não se trata dum automóvel feito de raiz, mas antes duma roupagem radical para um chassis igual ao do Lotus Exige V6, usando o mesmo motor Toyota sobrealimentado e oferecendo 475cv para 1060kg.
Outro construtor independente representado foi a Nichols, com o N1A, um modelo de estrada mas com inspiração clara no McLaren M6A-1, movido por um V8 de 7 litros e 600cv, para apenas 900kg.
Sem V8 e sem gasolina, não deixou de impressionar o Renault 5 Turbo 3E, o modelo eléctrico inspirado pelo Maxi Turbo, também exposto a seu lado.
Os restomod também têm lugar nesta área do salão e o mais famoso de todos é talvez o Porsche 928 transformado pela Nardone. Este trabalho mostra o quão actual permanece este desenho dos anos 70. A actualização estética é bem proporcionada e contida, e o nível dos acabamentos tem uma qualidade excepcional.
Em puro contraste, estava o Diablo reimaginado pela Eccentrica que, apesar dos argumentos técnicos, não é tão convincente na estética ou na apresentação.
Sempre com presença impressionante e acabamentos notáveis, o Alfa Romeo 8C transformado pela Touring em “Disco Volante”, surgiu agora com a desejável conversão para caixa manual pela Officine Fioravanti.
Muito mais para ver
Seria difícil descrever tudo o que havia para ver na Ultimate Supercar Garage, mas ficou evidente que esta iniciativa tem muito por onde crescer nas próximas edições, quer no espaço para ocupar, quer nas marcas a conquistar.
O público, esse, era mais do que muito, atraído não só pelo conteúdo deste pavilhão, mas pelos muitos supercarros que é possível ver na Retromobile.
Curiosamente, a Retromobile fez só agora, aquilo que o salão autoClássico começou a fazer há um par de anos com o Exclusive Top Car, mas numa escala que só o salão de Paris poderia conseguir.



































