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O porquê de gostarmos de carros antigos

Se tem daqueles amigos que não entendem porque é que prefere automóveis antigos, mostre-lhes este vídeo.
Hugo Reis
3 de jan. de 2026

“Mas então se os novos travam melhor, andam mais e funcionam sempre bem, porque é que teimas nisso?”, diz aquele seu amigo que diz ser um entusiasta, mas a quem só interessam os modelos de última geração.

Há quem diga que sou bom com as palavras, mas honestamente, para que palavras funcionem, é preciso primeiro captar a atenção do potencial leitor.

Não se resume num parágrafo a ligação sensorial que é preciso para colocar um automóvel de carburadores em marcha e o quão bem sabe dominar essa arte, ou o gozo de perceber como uma caixa caprichosa quer ser tratada, como as vibrações sem filtro nos dão tanto daquilo que valorizamos num desportivo moderno e nem sempre encontramos, como os cheiros nos ligam emocionalmente à máquina ou a alma que se sente num automóvel que foi feito, pensado e usado por mestres que ficaram no passado e que inspiraram tanto outros.

Assim, por vezes, o vídeo pode ser mesmo o melhor recurso. Mas só se for feito por alguém que junte certos ingredientes, que tão raramente se misturam: entusiasmo genuíno, talento para a condução e eloquência. 

Era assim Alain de Cadenet. A série “Victory by Design” terá sido uma das primeiras tentativas de nível verdadeiramente profissional de mostrar o que há de tão arrebatador num automóvel desportivo com história. O resultado foi de tal modo brilhante que ficámos, desde logo, mal-habituados, ao ponto de passados mais de vinte anos, ser raro encontrar-se algo cuja qualidade e intensidade sequer se compare. 

Quem é da mesma opinião é Sam Hancock. Para aqueles a quem o nome não seja familiar, além de piloto profissional, é agora também especialista no comércio de automóveis de competição históricos e revelou o seu talento como apresentador ao serviço da Petrolicious, no seu formato original. Curiosamente, numa série em que Alain de Cadenet era o outro apresentador. 

Neste seu mais recente vídeo, Hancock senta-se aos comandos dum Maserati 300S e o resto... o resto não se descreve em palavras. 

Assista, de preferência com auscultadores ou uma boa instalação sonora e, em seguida, envie ao seu amigo para quem um carro com vinte anos já é velho demais. Talvez o converta.