Alfa Romeo Spider: 60 anos de "dolce vita"
Há certos nomes que, para quem gosta de automóveis, são sinónimos de prazer. Alfa Romeo e Spider são dois deles. Quando conjugados, representem algo muito especial.
O Giulietta foi o responsável por tornar a expressão Spider comum no vocabulário dos alfistas e dos entusiastas em geral. O Giulietta Spider permanece como uma das mais belas criações da marca italiana e o seu sucesso foi tão significativo que o nome Spider ganhou independência na Série 105/115.
Assim, o nome Giulia seria usado apenas nos coupé e berlina, enquanto o roadster passaria a chamar-se simplesmente Spider. A base mecânica, no entanto, mantinha-se semelhante: motores de dupla árvore de cames e suspensão independente à frente e de eixo rígido atrás, a suportar um chassis monobloco que apresentava uma relativa novidade para a sua época: zonas de deformação programada.
A série 105 surgiu em 1963, mas o Spider só chegaria em 1966, forçando o Giulietta Spider a prolongar a sua carreira.
A separação de identidade entre o Spider e o Giulia tornou-se ainda maior porque a Alfa Romeo optou por entregar o desenho a casas diferentes. Se os Giulia saíam dos estúdios Bertone, já o Spider seria uma criação Pininfarina. O desenho original ecoava traços de alguns protótipos anteriores da Pininfarina sobre bases Alfa. No concept Alfa Romeo S3000 Superflow de 1956, já era possível encontrar o essencial do desenho da frente e traseira do Spider de 1966.
Os faróis cobertos por “plexiglass” e a traseira redonda são as marcas fundamentais do desenho do Spider Duetto. O nome Duetto (que romantizava o número de ocupantes) resultou de um concurso nacional levado a cabo pela marca, em que o prémio era um exemplar do novo carro. Foram submetidas mais de 100 propostas e o nome vendedor seria sugestão por Guidobaldo Trionfi, um entusiasta de Brescia. Contudo, por direitos legais o nome nunca pode ser usado oficialmente.
Em 1968 era lançada a versão de motor 1750cc com 118cv, que se chamaria Spider Veloce. Também nesse ano seria lançada a versão 1300, chamada Spider 1300 Junior com 90cv.
Se hoje apreciamos imenso a traseira afilada e redonda do Duetto – apelidada pelos italianos como osso di seppia, ou seja, osso de choco -, a verdade é que ela era pouco consensual nos anos 60. Então, a geração S2 introduziu a chamada coda tronca, “cauda cortada” em português. Dizia-se então que este tipo de desenho oferecia vantagens aerodinâmicas, mas em boa verdade não terá sido essa a razão principal.
Em 1971 chega o motor 2000cc e, com ele, os puxadores de porta que se tornaram imagem de marca e seriam copiados em carros como o MX-5 NA ou os Ferrari Mondial.
O S2 foi a geração mais duradoura, sendo substituída apenas em 1982. O S3 usava exactamente a mesma carroçaria, mas incluía agora volumosos pára-choques plásticos impostos pela regulamentação americana.
A completar o “estrago”, foi aplicada uma pequena asa que envolvia toda a traseira e que lhe valeu a alcunha de rubber tail (cauda de borracha). Inicialmente o tablier permaneceu quase inalterado, tendo depois sido actualizado com um painel de instrumentos mais moderno, maior e menos elegante que transitaria para o S4.
Simultaneamente, os retrovisores cromados foram substituídos por uns de plástico, enormes.
A delicadeza de linhas só voltaria no elegante S4, com pára-choques à cor da carroçaria e uma traseira muito delicada e harmoniosa, quase a fazer lembrar o Duetto.
Vendido apenas em motorizações 1600 e 2000, o S4 vinha equipado com direcção assistida e as versões para o mercado americano tinham injecção electrónica Bosch Motronic.
Em 1992 chegava o primeiro Alfa Spider 916 de transmissão dianteira, com base na plataforma Tipo 2, comum à maioria dos produtos do grupo Fiat. "Irmão" do GTV 916, era um modelo interessante e bonito, mas sem o charme do arcaico antecessor.
Em 2006 surge o Spider 939, que era, essencialmente, uma versão descapotável do Brera. Era um modelo confortável e utilizável, com detalhes de design agressivos e diferenciadores, mas de proporções imperfeitas. Acima de tudo, é um modelo que fica apenas como uma nota de rodapé na história da Alfa Romeo.
Mas pior do que haver um mau Spider, é não haver Spider algum e, o ano em que se celebra o 60º aniversário, marca também 16 anos desde a morte definitiva de um dos mais sedutores e reconhecidos modelos da história...























